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St. Pauli é o time mais legal do mundo, e nem precisa jogar bola para isso…

Pode uma torcida fazer o time? No caso do St. Pauli, time alemão da segunda divisão, a torcida não só faz o time, como representa a massa mais apaixonada não só por futebol, mas por causas sociais, política e cultura. Originário de Hamburgo, o clube virou um fenômeno cult no momento em que se mudou para a zona portuária no início da década de oitenta. Na época, a sede do clube foi transferida para a rua  Reeperbahn, lugar famoso pela vida noturna intensa e pelas casas de “luz vermelha”. Os frequentadores da rua (intelectuais de esquerda e universitários) acabaram por se unir aos membros do time e assim começou o chamado fenômeno “kult” (o cult germânico). O Fußball-Club Sankt Pauli adotaria mudanças radicais com a nova torcida-intelectual-organizada do clube, entre elas banir a venda de ingressos a indivíduos de extrema-direita, que na sua maior parte representavam as fileiras de hooligans que assolavam o futebol na época. Também combateram a homofobia, tendo inclusive um presidente assumidamente gay.

O clube se define politicamente como anarquista-libertário e seu símbolo mais conhecido é a da bandeira pirata, eles se auto-intitulam Os Piratas da Liga.

 Qual o som que o St. Pauli usa para entrar no campo?

E para cada gol marcado:

Mas não é só isso, inúmeras bandas de rock alemãs são apaixonadas pelo St. Pauli e já a homenagearam:

E a Nike fez um tênis especialmente para tirar dinheiro dos fanáticos  os fãs apaixonados:

Mas e o futebol?

É, aí já é pedir demais. Os piratas da Liga  permaneceram na segunda divisão a maior parte dos anos 80, 90 e 00, sendo que na curta temporada de 01-02 na primeira divisão do futebol alemão (Bundesliga) eles derrubaram o poderoso Bayern de Munique, e detalhe, o goleiro da época era Oliver Kahn, eleito melhor goleiro alemão em 2000 e melhor jogador na Copa do mundo de 2002:

Mas o que fascina no time não são as vitórias no esporte (que são pouquíssimas), mas a fidelidade do público em todos os momentos.  O time quase foi à falência em 2003, sendo salvo pela venda de material promocional do time e por eventos como um jogo beneficente contra o Bayern. Nessa temporada inclusive o time caiu para a terceira divisão e ficou lá por três anos. A torcida não só permaneceu com o time como encheu com seus 14.000 sócios as partidas que normalmente teriam pouco mais de 1000 torcedores. Na temporada de 2010 o time sofreu 11 derrotas consecutivas na primeira divisão, caindo novamente para a segunda divisão. O treinador Holger Stanislawski ao invés de sofrer uma represália, foi ovacionado pela torcida pelo seu trabalho com o time nos anos anteriores.

O poder do St. Pauli consiste talvez em brigar por causas que estão além do esporte e atrair pessoas que normalmente não ligam para futebol. Entre elas, a uma campanha por água potável em Ruanda no ano de 2005. O St. Pauli tem inclusive um grupo de fãs apaixonado no Brasil, como pode ser conferido nesse blog.

Entre os simpatizantes e fãs famosos estão os integrantes do Asian Dub Foundation, Turbonegro, Sisters of Mercy, Bad Religion e Gaslight Anthem:

                                                 Alex Rosamilia, guitarrista do Gaslight Anthem com boné do St. Pauli.

Dica da leitora Bárbara Silva!

Gustota está quase virando torcedor do St. Pauli depois de acabar essa matéria..