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Sexta-feira Hipster – Entenda o que é Gangnam Style.

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Sexta-Feira Hipster – Grimes será a nova Hip-diva?

Lana Del Rey é a nova diva do mundo hipster?

Valeu a tentativa.

Agora falemos de Grimes. Nascida com o nome de Claire Boucher, esta canadense que visualmente é uma mistura de Frida Kahlo com Helga G. Pataki e com penteado de Skrillex tem dado o que falar. Seu som possui uma suavidade que lembra algo de Cocteau Twins e do New Wave, assim como também dialoga com outras cantoras do chamado “dream pop” como Lykke Li (já mencionada aqui) e Fever Ray:

Seu primeiro álbum, Geidi Primes fez um razoável sucesso e revelou um pouco do mundinho particular desta cantora:

Grimes parece dialogar tanto com o sombrio e introvertido mundo do dream pop quanto com strange american, o freak folk americano e canadense de bandas como Animal Collective e do Grizzly Man, o que fica bem evidente nesta música:

Assim como todas as outras cantoras dream pop, Grimes também é fashionista e está sempre realizando trabalhos ligados à moda e à fotografia:

Grimes acabou de lançar seu álbum Visions e eu aposto que ela será a nova sensação da música que “nunca ninguém ouviu falar” , tornará descolada a pessoa que a curtir e todas essas coisas:

Há muita expectativa sob esta canadense de apenas 23 anos, veremos se elas serão cumpridas, ou será mais um bafafá internético.

E ela é boa ao vivo?

Ao menos isto!

Discografia:

Geidi Primes: 2010

Halfaxa: 2011

Visions: 2012

 Gustota vai esperar virar moda para dizer que gosta!

Sexta-feira Hipster: Um mashup de carnaval com João Brasil.

Estamos no chamado “Carnaval Zeitgeist”, aquela época do ano em que o Brasil estaciona e qualquer manifestação anti-folia é condenada com a morte. Inúmeros foliões tomados pelo confuso feeling carnavalesco irão às ruas das cidades atacar as inúmeras foliãs para satisfazerem o espírito pagão de Moloch. E quando o folião ataca aquela foliã que está fora dos padrões de beleza estabelecidos pela sociedade moderna, ele recebe críticas e ressalvas de seus colegas de caça.

Eis que em 2007 surge um hino em defesa dos apreciadores das mulheres fora-do-padrão:

A música revolucionária era uma afronta clara e direta a Vinicius de Morais que diz: “As muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”. Muitos contestaram o misterioso autor, sua seriedade com a música, especialmente quando o mesmo aparece no então programa de Marcos Mion:

E no Faustão, convidado da atriz Maria Flor:

João Brasil é um palhaço? Um títere do humor rasteiro disseminado pela televisão nacional? Claro que não! A prova disso veio no clipe oficial de baranga, satirizando todos os clichês dos anos 80, como os de shows da RPM e do Ritchie:

Não estamos falando de qualquer músico. João estudou música na Berklee College of Music, participou de várias bandas como Boi Zebu e trabalhou como produtor musical de outros artistas. Seu gosto por músicas com ritmos bregas criou vários sucessos, como o já citado baranga e o “Monica Waldvogel”, que gerou comentários da própria jornalista:

Seus primeiros oito hits ( que na verdade se revelaram 10) geraram seu primeiro cd com sensacional capa satirizando o Thriller de Michael Jackson:

Porém, com a descoberta do funk por João e seus samples, surge seu projeto mais ousado: Os 365 MashUps! A proposta ousada é unir músicas conceituais de artistas consagrados com funks, vinhetas de programas nacionais, ritmos tropicais e tecnobrega. As músicas ganham realmente um teor nacional, entre elas podemos citar o já mostrado Calypso com La Roux:

Beatles+ Deise Tigrona:

Ramones + Uma centena de ritmos de Axé:

Nunca vi músico/dj tão apaixonado por ritmos brasileiros como João Brasil:

Entre suas autorias próprias, a L.O.V.E. Banana em parceria com a Lovefoxxx do Cansei de Ser Sexy:

Quase uma versão hipster/pornochanchada do extinto programa Fantasia do SBT!

João Brasil tem até discípulos como o Dj capixaba André Pasté:

Se ele é um artista ou sampler, para mim não faz diferença. A tendência da pós-modernidade é o hibridismo cultural, buscar referências em inúmeras obras, misturá-las e criar uma outra obra a partir de fragmentos das anteriores. É exatamente isso que os artistas da pop-art faziam, assim como a pop-art music de João Brasil. Para pular o carnaval ao som alucinado deste ufanista incorrigível, eu pessoalmente recomendo:

João Brasil, como muitos, é mais reconhecido lá fora. Ele recebeu uma recomendação da prestigiada  Vice, e concedeu uma entrevista para a Fact.

Não deixe de visitar o canal no SoundCloud com os sons de João Brasil:

http://soundcloud.com/joaobrasil

Gustota não consegue fugir do Carnaval Zeitgeist.

Sexta-feira Hipster – O Calypso que você não conhece (hatters gonna hate).

A recente polêmica sobre o SOPA e o PIPA reacenderam a discussão sobre a forma de distribuição da indústria fonográfica. Muito se falou do Nine Inch Nails, do Radiohead., mas a bem da verdade quem vale a pena ser citado de fato é a banda de Joelma e Chimbinha. A banda Calypso encabeça um estilo que, ao mesmo tempo representa a vanguarda na distribuição e viralização de conteúdo, o chamado Tecnobrega. O mundo prestou atenção no que acontecia no Pará antes do Brasil. No artigo Free! da famigerada revista Wired, o autor Chris Anderson elogia o sistema de distribuição do Calypso, utilizando-o como exemplo para o futuro da distribuição musical.

A repercussão do artigo chamou a atenção de todos para o microcosmo do tecnobrega. Uma indústria informal de entretenimento envolvendo produtores independentes, djs,  música technomelody e as disputas de equipes de “aparelhagens”.

Em 2009, Gustavo Godinho e Vladimir Cunha lançaram o filme Brega S/A que nos apresenta este mundo surreal que existe em nosso próprio país:

E o Calypso?

Prestes a virar filme pelas mãos de Caco Pereira de Souza, responsável pelo sucesso “Dois Filhos de Francisco”  e produzida pela Black Maria (2Coelhos), contará a história da banda que vendeu 10 milhões de cds sem apoio de gravadoras e 70 mil DVD’s sem apoio de estúdios.

Chimbinha, nascido em Oieras no ano de 1974, começou carreira tocando num prostíbulo. Por não mexer com as mulheres ganhou o apelido de “bichinha”, com as sílabas trocadas depois da fama. O estilo Chimbinha  de tocar foi descrito como “barroco, cheio de floreios, mas muito claro e seguro”, pelo antropólogo Hermano Vianna.

Entenda aqui o que é esse “estilo barroco” (com o perdão da baixa qualidade):

O estilo de Chimbinha já foi elogiado por Dado Villa-Lobos,  por Caetano Veloso durante um debate cultural e pelos Paralamas do Sucesso, com quem tocaram juntos em uma das parcerias inusitadas criadas pelo Estúdio Coca-Cola:

Em 2009 Chimbinha e sua esposa Joelma foram indicados ao Grammy Latino na categoria de músicas com raízes brasileiras. Em 2010 eles fazem uma participação com um show no Grammy:

Calypso ganhou imenso destaque em turnês no exterior. Uma versão da sua música “Coração Acelerado” entrou na trilha sonora do filme adolescente Cupid’s Arrow de 2010:

Calypso caindo no hipster.

É claro que apareceria alguém do underground que notaria o poder kitsch e o apelo popular do Calypso. Não foram poucos, aliás. O mestre dos Mashups, João Brasil (que em breve será resenhado por aqui), criou uma combinação sensacional entre Calypso e La Roux:

Vencedora do VMB 2011, a Banda Uó de Goiânia claramente se inspira no Calypso, misturando o estilo technobrega com o electro estrangeiro:

Um Mashup do Calypso com o duo Felguk atingiu o primeiro lugar  de visualizações no SoundCloud:
http://w.soundcloud.com/player/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F22540635&show_artwork=true
(excelente!)

Vale a pena citar também um artigo da Superinteressante assinado por Felipe Van Deursen mencionando Calypso como a verdadeira banda indie, mesmo depois de ter assinado com a Som Livre.

Querendo ou não, Calypso faz parte da cultura nacional, não é possível ignorar o exemplo alguém que enfrentou (talvez de forma inocente, para sobreviver e atingir um público carente) a hegemonia da indústria fonográfica, ainda mais com tanta polêmica sobre a liberdade do artista e do conteúdo em voga.

Gustota já foi traído pela Lua.

Sexta Feira Hipster: Dubstep – wuwuwu-wub!

Muito se fala (ou se posta) a respeito de dubstep, mas o que seria isso exatamente?  Um movimento? Um estilo musical? Uma dança?

Não, não é tão confuso assim. Busquemos as origens do dubstep:

A cena inglesa:

Os movimentos musicais sempre estiveram ligados à juventude, à sede por coisas novas e a busca por transgressão. A energia, as drogas e a ideologia do rock foram bem características das décadas de 60, 70 e 80. Dos anos 90 pra cá a força de novidade e transgressão caracterizam mais a música eletrônica, as raves e os DJ’s. Um dos grandes responsáveis por isso foi esse homem:

O jornalista e empresário musical Tony Wilson popularizou o movimento Punk Rock depois de assistir ao primeiro show dos Sex Pistols, foi sócio-fundador Factory Records, responsável por lançar bandas como Joy Division, New Order, Happy Mondays e fundador da casa noturna Hacienda. Sua história de vida foi retratada no filme 24 Hour Party People (no Brasil, A Festa Nunca Termina) de 2002. O filme apresenta um momento singular na história da música ocorrido na Hacienda, onde o DJ, intermediário entre os músicos e o público, passa a ser considerado um artista também e é aplaudido como tal. Na Hacienda surge o chamado “Acid House”, com DJ utilizando o sintetizador TB-303, o público indo para boates dançar as batidas eletrônicas e tomar a droga do momento, o ecstasy.

Entre os estilos difundidos pelos DJ’s estavam o Trance, o Drum and Bass, o Jungle e o UK Garage. o UK Garage se dividia em  vários sub-gêneros como o 2-step e o grime. O 2-step caracterizava-se por não possuir um ritmo regular, tendo várias quebras na música e batidas variadas:

O grime usa de batidas complexas e fusão com o hip-hop. Um expoente do estilo é Dizzee Rascal:

Algumas músicas 2-step foram remixadas em dub, um sub-gênero do reggae Jamaicano bastante difundido na Inglaterra. A combinação do Dub instrumental e experimental com o 2-step daria origem ao que chamamos hoje de Dubstep. Os remixes de músicas em dubstep ficaram muito populares na casa noturna Plastic People de Londres no início do novo milênio e no programa de John Peel pela rádio BBC  entre 2003 e 2004. Outro grande difusor foi a loja Big Apple Records, especializada em hardcore e música eletrônica.

O Estilo chama a atenção da mídia especializada no início do século XXI. Revistas e Sites de prestígio como The Wire e Pitchfork dedicaram espaço para o dubstep. Percursores como Plasticine e Skream  ganham espaço na grande mídia:

Músicos do mainstream usam referências do som Dubstep, tais como Britney Spears:

Rihanna coloca remixes em dubstep no seu álbum Rated-R:

Magnetic Man é o primeiro a ter uma música em dubstep nas paradas de sucesso:

Katy B e Chase & Status também atingem as paradas. Vários músicos pop têm suas músicas remixadas em dubstep e o estilo atinge de vez o grande público.

Pós-dubstep e americanização.

Apesar de nunca ter sido um estilo bem definido, muitos críticos musicais consideram a nova onda de produtores e DJ’s de Dubstep iniciada em meados de 2008 como músicos de pós-dubstep por incluírem outros estilos musicais ao som original, tais como James Blake e Mount Kimble:

Os americanos e canadenses também começam a produzir Dubstep. Entre eles, o mais destacados  são o DJ canadense Deadmau5 e o americano Skrillex:

De certa forma, Os artistas e produtores do pós-dubstep e do dubstep americano soam com um formato mais “escutável” de dubstep, o que revolta os puristas que consideram o popstep (o dubstep das paradas de sucesso) e o brostep (o dubstep americano) completamente descaracterizados do som e do estilo original inglês.

Wubb-wubb-wubb.

O Wooble-bass, aquela famigerada linha de baixo pesada e distorcida é o elemento mais característico do dubstep. Em algumas músicas ela é repetida à exaustão, sendo também uma das principais críticas ao estilo musical. O jornalista musical Simon Reynolds do “The Guardian” chegou a relacionar o efeito hipnótico e dissociativo da ketamina (anestésico veterinário utilizado como droga) com a música dubstep, pois somente os drogados de ketamina conseguiriam criar uma música tão desconexa quanto dubstep.  Sátiras pululam na internet, entre elas o espetacular dubstep karaokê:

e a “como seus pais escutam dubstep”:

No Brasil.

Por aqui o estilo já toca nas pistas desde 2005 no Vegas Club, em São Paulo na festa Tranquera. Alguns Dj’s fazem Dubstep por aqui, tais como Diko Killah e Bruno Belluominni:

http://soundcloud.com/zerodiscokillah

E o dubstep continua.

Gostando ou não desse estilo tão controverso, não há como negar que ele está causando barulho, independente de você considerá-lo o futuro da música eletrônica ou a sonoplastia dos peidos de um robô.

Ainda poderia falar de inúmeros outros DJ’s e produtores como Caspa, Diplo, Steve Aoki e outros que flertam com o estilo mas o espaço é curto e a cena imensa..

Para finalizar,  deixo aqui o sensacional videoclipe do Skrillex, onde um pedófilo stalker é castigado ao som de dubstep:

Gustota não consegue dançar dubstep, mas já viu alguém conseguir: