Arquivos do Blog

As leituras de sábado à noite – Precisamos falar sobre o Charlie Brown.

Calma, calma. Não falaremos sobre o homônimo santista do nosso jovem Minduim. Com seus oito anos e meio e seus quilos de melancolia juvenil, Charlie Brown marcou pelo menos três gerações seguidas com sua profundidade existencial para situações cotidianas típicas da infância.

O lado outsider de Charlie Brown provavelmente surgiu do íntimo de seu criador, Charles Schulz. Nascido de uma família de imigrantes alemães e noruegueses, Schulz era o mais jovem aluno de sua escola, na cidade de Saint Paul. Talvez por ser o mais jovem, sempre foi um menino tímido e introvertido. Lutou na Segunda Guerra e, ao retornar dela, instalou-se como professor de arte em 1947 na sua cidade. E foi nesta mesma época que ele publicou suas primeiras tirinhas, as Li’l Folks em um jornal local.

Assinando com o pseudônimo de Sparky e com forte influência das tirinhas da época, Schulz delineava o que viria a ser seu maior sucesso.

Dizem que nossos cães adquirem nossa personalidade com o passar dos anos. Talvez a personalidade Schulz tenha sido adquirida tanto pelo seu beagle Snoopy quanto pelo jovem  e calvo Charlie Brown. Snoopy e Charlie Brown surgiram na Li’l Folks e começaram a ganhar vida e personalidade próprias. Minduim foi deixando de ser o menino certinho para se tornar o melancólico (e pré-hipster) garoto enfadonho. Snoopy deixou a inocência para ganhar um viés anárquico e hiperativo.

Disso:

Para isso:

Em 1950 tivemos a primeira tirinha com o nome Peanuts:

A mudança de Li’l Folks para Peanuts aconteceu por questões de direitos autorais (já existia uma tirinha com esse nome). O nome Peanuts provém de um tipo de platéia que ri das piadas dos comediantes  em apresentações de Vaudeville (e que permanecem até hoje nos sitcoms). Elas chão chamadas assim pelo fato de receberem aqueles amendoins característicos em pacotinhos nos estilo dos de pipoca (e muitas vezes a platéia jogava esses amendoins nos comediantes ruins). O nome foi inspirado diretamente de uma platéia Peanuts de crianças. Schulz sempre detestou o nome escolhido contra sua vontade. ele achava que o nome burlesco diminuía o valor de seu trabalho.

A tirinha alcançou sucesso imenso durante os anos 50 e 60 porque tratava da comédia  em duas camadas. Tanto as crianças poderiam amar as brincadeiras de Snoopy quanto os adultos podiam se identificar com os dramas pessoais de Charlie Brown. O famoso especial de natal de 1965 foi o grande responsável pelo sucesso em massa nos Estados Unidos e no resto do mundo:

Quanto de Schulz havia em Charlie Brown?

Muito da vida de Charlie Brown veio da vida pessoal do autor. Os pais de Charlie Brown serem um barbeiro e uma dona-de-casa, como os pais de Schulz. A ‘Menininha ruiva” realmente existiu:

Ela se chamava Donna Wold, foi amor platônico e posteriormente namorada de Schulz por três anos. Ela recusou um pedido de casamento do autor, e este nunca aceitou a rejeição.

Lucy Van Pelt, a eterna “bully” do Charlie Brown possui muito do comportamento autoritário de sua mulher, Joyce Schulz.

Uma das passagens mais famosas de Lucy, a barraca de consultas psiquiátricas teve inspiração em uma discussão do casal, onde Joyce teria mandado Schulz “procurar um psiquiatra”.

Linus seria o lado religioso e filosófico de Schulz, que era luterano:

Patty Pimentinha era inspirada em Patricia Swanson, uma prima de Schulz que se dava melhor entre os meninos.

Charlie Brown fez imenso sucesso até os anos 80, onde perdeu um pouco de espaço para outros sucessos como Garfield e Calvin, mas ainda é considerado até hoje como a tirinha de maior sucesso de todos os tempos. Schulz faleceu em 2000, vítima de ataque cardíaco e até antes de sua morte continuou fazendo suas tirinhas.

Tirinha póstuma publicada em 13 de fevereiro de 2000, um dia após a morte do autor.

Em 2006 tivemos o último longa de animação do Peanuts, He’s A bully Charlie Brown:

Porque ler Charlie Brown num sábado à noite?

Porque não existe nada melhor para chorar a solidão de um sábado em casa que Charlie Brown:

Só que não esse.

As tirinhas de Charlie Brown foram publicadas no Brasil pela LP&M, famosas pelos seus livros “pocket”:

E eles deram um tratamento excelente às tirinhas clássicas. Vale muito a pena conferir:

Como já disse certa feita Umberto Eco (outro que já apareceu em nossa sessão de livros) sobre Charlie Brown e sua turma:

“O mundo de Peanuts é um microcosmo, uma pequena comédia humana, tanto para o leitor inocente como para o sofisticado.”

 

Vale lembrar também um post anterior sobre o Charlie na puberdade feito aqui no Blog.

E boa noite a todos, e a você também, Charlie Brown!

Gustota quer ver os caras do Charlie Brown invadirem a cidade.

 

PROMOÇÃO! Concorra ao Pequeno Livro dos Beatles!

Olá pessoal! Temos muitos motivos para comemorar, afinal o blog passou dos 10.000 views em menos de um mês! Então para presentear os leitores que apoiaram o início da nossa empreitada, iremos sortear no Twitter o Pequeno livro dos Beatles, de Hervé Bourhis. Esse livro em formato de LP é talvez a mais deliciosa biografia dos Beatles, totalmente quadrinizada com resenhas de todos os álbuns, inclusive dos álbuns solo dos integrantes do Fab4!

Para participar basta:

A promoção começa a partir de hoje, dia 26 e irá acabar dia 2 de fevereiro às 12:00. Não deixe de ler nesse sábado a resenha do Pequeno livro dos Beatles e muito obrigado pela sua audiência!

Capas conceituais dos Vingadores

Com o lançamento do filme Vingadores, a Marvel tem lançado materiais promocionais bem interessantes, como o Avengers Art Appreciation Variants, uma série de capas com artes conceituais homenageando pinturas e monumentos desde a antiguidade até artistas como Michelangelo, Egon Schielle, Seurat e Rodin. Os artistas que realizaram as capas são nomes de peso da editora como Gerald Parel, Greg Horn,  Michael Kaluta, Alex Maleev e Gabriele Dell’otto.

Confira aqui as sensacionais capas conceituais dos Vingadores:

Gustota curtiu a capa estilo Toulose-Lautrec!

As leituras de sábado à noite – Sandman: The Dream Hunters, um conto de fadas para adultos.

 

Sandman: The Dream Hunters é uma obra de arte dentro de outra obra de arte. Neil Gaiman encontrou a fama no mundo dos quadrinhos no final dos anos 80 juntamente com Alan Moore, quando a DC Comics sugeriu que eles revivessem antigos personagens menores e esquecidos como o Sandman, o Monstro do Pântano e a Orquídea Negra. A nova roupagem que os autores deram aos personagens transformou completamente o mundo dos quadrinhos, criando inclusive um selo próprio da DC comics, o Vertigo. As histórias seriam elevadas a um nível literário e a série Sandman ganharia prêmios que antes eram reservados apenas à literatura (Fantasy World Award em 1991 pela edição Sandman: Sonhos de uma noite de verão).

 

O sucesso de série em quadrinhos abriu várias portas Neil Gaiman. Ele foi convidado pela Miramax para adaptar o roteiro de Princesa Mononoke para a versão americana. Durante as pesquisas para o filme, Gaiman também foi convidado a criar uma história para um álbum comemorativo de dez anos de Sandman.  Imerso nas pesquisas sobre lendas japonesas, ele sugere uma adaptação  de um conto que havia lido: “A Raposa, o monge e o mikado dos sonhos” para o mundo de Sandman.

Para ilustrar o livro, a DC convidou o artista Yoshitaka Amano, famoso por ter trabalhado como designer de personagens na série Final Fantasy, ilustrador da série  cult de livros Vampire hunter D e desenhista do memorável Tatsunoko Studios. Amano topou, mas com a condição de que fosse um livro ilustrado, e não uma série em quadrinhos. Assim surgiria aquela que é, na minha opinião, a maior obra já criada por Gaiman envolvendo o personagem Sandman.

O livro impressiona pela leveza. É uma história pesada de amor não-correspondido, morte e vingança, mas a narrativa é tão suave quanto uma fábula infantil,  uma história cheia de malícia contada para um inocente.  Num tempo, descrito no livro como: “Naqueles tempos havia muita coisa caminhando sobre a Terra. Coisas que hoje raramente vemos. Havia fantasmas e demônios, e espíritos de todos os tipos. Havia deuses feras e pequenos e grandes deuses. Todo tipo de entidades, seres, espectros e criaturas, tanto boas quanto más.” Nesse mundo, animais eram tanto animais como também eram entidades dotadas de poderes mágicos.

Dois desses seres, uma raposa (kitsune) e um texugo (tanuki) disputam um templo onde vive um monge solitário. Eles usam de todas as artimanhas mágicas que possuem, mas são derrotados pela paz de espírito e ausência de medo do monge. No entanto, a raposa se apaixona pelo monge e descobre que este está marcado para morrer, devido às tramóias de um feiticeiro (omyoji) que pretende roubar para si a paz de espírito do monge. O amor da raposa e posteriormente o do monge movem uma busca até o reino dos sonhos, onde somos apresentados, enfim, a Sandman, numa de suas mais arrojadas versões, auxiliando os dois amantes em sua busca apaixonada para ficarem juntos.

 

A obra talvez não tivesse metade do impacto se não fosse acompanhada das magníficas ilustrações de Yoshitaka Amano. O artista consegue combinar o Ukyo-e, a arte japonesa tradicional com o Art Noveau europeu a estilo de Gustav Klimt e Mucha. Não há como não se sentir no mundo dos sonhos com as ilustrações, especialmente as do monge pelo reino de Sandman. E são tantas ilustrações que, além do livro do Sandman, fica impressão de ter-se adquirido também um livro de arte.

Porque ler esse livro num sábado à noite?

Quando li a obra pela primeira vez, apesar de estar lendo uma obra cheia de temas adultos, fiquei com aquela mesma sensação de frescor que tive quando li O Pequeno Príncipe, de uma fábula leve, saborosa  e atual. O livro funciona mesmo para quem nunca leu qualquer coisa de Sandman e mesmo para quem detesta quadrinhos. A obra mostra a força de Gaiman como excelente contador de histórias, maestria narrativa que transcende o formato e ultrapassa os nichos de adoração tradicionais dos fãs de quadrinhos. O livro ganhou alguns prêmios, entre eles o Hugo Award por melhor obra relacionada e o Bram Stoker Award por melhor narrativa ilustrada.

A título de curiosidade, no aniversário de 20 anos da obra original de Sandman, essa obra foi adaptada para os quadrinhos por P. Craig Russel, é boa mas não tem nem de longe a força da original.

 Esse foi o livro que abriu as portas da literatura para o Gustota.

Mozbinha 2 – Tetinhas de Orc.

Até a próxima!

Mozbinha, o meio-orc!

Hoje estreamos com a tirinha do Mozbinha.  Um dia Mozbinha será o maior guerreiro do mundo da fantasia, mas não agora. Por enquanto ele é um gordinho que só faz gordice, tendo aulas de machado, lendo a Butt-orc, convivendo com anões nerds, elfos hipsters e tentando conquistar seu grande amor!

 Clique nas imagens para ampliar!

Final do Caverna do Dragão em quadrinhos

Saudações, caros leitores!

Qual de nós, nascidos entre as décadas de 80 e 90, não acompanhou a incessante busca de Hank, Eric, Bobby, Sheila, Diana e Presto por voltar para casa no desenho, baseado no jogo de RPG Dungeons & Dragons, Caverna do Dragão? Se você não sabe do que estou falando, não diga nada, apenas pare de ler essa matéria e sinta vergonha da sua existência medíocre e repugnante.

Pois, bem. Assim como os protagonistas do desenho, nós sempre fomos enganador por aquela figura senil e de baixa estatura,denominada Mestre dos Magos, que fazia como os políticos brasileiros, só aparecem quando precisam de você, prometem tudo e depois que ganham voto, somem. Embora eles sempre caíssem nas falsas promessas do Mestre dos Magos, todos nós tivemos esperança de que algum dia, cedo ou tarde, eles conseguiriam voltar para suas banais vidas de estudantes do ensino médio (exceto, Bobby…) em suas terras natais. Devido a essa crença todos aguardaram o último episódio do desenho que nunca aconteceu…

Muitos foram os boatos sobre como seria o final da saga e o destino de nossos heróis. No boato mais famoso eles morreram em um acidente na montanha russa e suas almas estão em uma espécie de limbo, um purgatório, onde eles desconhecem a verdade (sobre suas mortes) e tentam voltar pra casa insistentemente. Além disso, esse boato coloca nosso pequeno Mestre  dos Magos como o próprio Capeta que fica brincando com as almas deles e impedindo que eles encontrem a luz… até a Uni é  mencionada como serva de Satã. Aliás, existe um boato de que ela é o próprio Satã!

Mas chega de boatos. Vamos falar sobre fatos. Graças a essa coisinha de Deus que é a internet, descobrimos que embora não exista um último episódio, existe um roteiro dele escrito por um dos roteiristas originais da série. Finalmente os boatos sobre unicórnios satânicos foram por água abaixo.

Provavelmente isso também não é muita novidade, mas a grande atração deste post, senhoras e senhores, é que um fã do desenho, chamado Reinaldo Rocha, resolveu usar o roteiro do último episódio e fazer uma revista em quadrinhos! Eu, particularmente, gostei bastante. A arte ficou muito boa e desperta aquela sensação nostálgica de ver algo inédito de personagens da minha infância.

Bom… chega de enrrolação. Abaixo vocês podem ler a revista ou se quiserem podem fazer o download clicando aqui.

BÔNUS: Achei este vídeo que mostra uma visão alternativa do final da série. Apesar de ser bem viajada (envolve até Transformers no meio!), eu curti.

Aquele abraço