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Roupas Rasgadas, Falsificação de Documentos e Reboque. A Saga de um Pequeno Grupo de Fãs Tentando ver The Wall

Eita que o título ficou enorme \o/

E o post também vai ficar, mas a história é boa =)

Começando lá atrás

Minha história com PF começa lá nos meus 6, 7 anos de idade, meus tios ouviam muito em casa e eu achava incrível uma música poder ter 22min, um álbum ter uma capa que pisca e um cd poder ser um filme. Tudo isso pra mim era realmente impressionante (e continua sendo), tudo muito diferente, colorido e brilhante, muito barulho e umas mudanças estranhas do nada no meio das músicas. E eu adorava.

Euforia e Desapontamento e Euforia de Novo

Passados alguns (cof cof) aninhos, conheci mais álbuns, virei fã de verdade, estudei compreendi e me apaixonei ainda mais com a banda e todo o espetáculo que eles sempre faziam, aí fica aquela coisa que todo fã de música velha tem “ai, como eu queria ver ao vivo, ai pena que acabou, snif snif”. Lá pros idos de 07/2011 surge a notícia de que o Roger Waters passaria com a turnê The Wall Live pelo Brasil, foi só alegria e amor no coração. Eu e minha amiga Amanda decidimos que veríamos de qualquer forma, começamos a vigiar as datas esperando logo que começassem a venda dos ingressos, definissem local e essas coisas todas. Em 11/2011 abriram venda de ingressos, foi RUN LIKE HELL pra comprar, ela comprou antes e eu fui comprar cerca de 3 dias depois e já  não consegui no mesmo setor, iríamos separadas mas iríamos. Compramos ingresso pro show de sábado 31/03/2012 em São Paulo. Comentei com meus tios (aqueles que ouviam quando eu era pequena) mas já não haviam mais ingressos. Chega 01/2012 e cai uma bomba, nosso show tinha sido cancelado, depois surgiu a notícia que tinha sido remarcado pra terça feira seguinte. Aí veio o problema, seria impossível ir pra São Paulo em plena terça feira, todo mundo trabalhando e estudando. Já era The Wall. Solução: tentar trocar o ingresso pro domingo, uma das orientações dos organizadores do show. Tivemos que cancelar o ingresso e torcer pra encontrar  pro domingo, conseguimos. Liguei pros  meus tios na hora e comprei na hora pra eles também, todo mundo vai, feliz e contente uhul!

Falsificação de Documentos e Receios

Como já era de se esperar, os ingressos estavam com preço bem salgado, a sorte é que existe carteirinha de estudante então compramos meia entrada. Comprei meia entrada, também, para os meus tios pois meu tio é estudante de mestrado e professor, como professor ele conseguiria um comprovante pra minha tia. Engraçado que ele chegou com uns 3 certificados diferentes pra cada um, até EJA tinha, algum deles tinha que passar. O problema é que pra retirar os ingressos era somente na hora do show e eles exigiam a comprovação da meia entrada em 3 níveis de segurança diferentes.

Carro estragado, reboque, carro estragado, reboque, carro estragado, outro reboque…

Eis que chega o grande dia, depois de meses e meses de espera chega a hora de pegar estrada rumo a São Paulo, meus tios, eu e amanda saímos de BH de carro no sábado 3h da manhã com destino a Sorocaba, casa da minha madrinha, onde passaríamos o fim de semana e no domingo seguiríamos pro show em São Paulo, o plano era chegar por volta de 11h da manhã. Pegamos a Fernão Dias com seus milhares de postos de pedágio e fomos seguindo felizes até que o carro começou a esquentar e tivemos que parar, estávamos olhando o carro quando chegou o carro de suporte da própria fernão dias pra ver o que tinha acontecido, encontrou mais ou menos o problema e resolveu levar o carro pra uma oficina pra ver o problema no reservatório de água. Reboque Nº1.

Oficina, mexe, arruma, -2h, estrada de novo, com calma pra não ter problema…

Seguimos com aquele sentimento de “tudo bem, acontece, vamos em frente”. Continuamos a viagem com a ideia de chegar cedo ainda, antes de 14h já estaríamos na casa da minha madrinha de banho tomado e almoçando. Até que o carro esquenta de novo. Reboque Nº2.

Outra oficina, o mecânico avisa que não tinham arrumado direito, acha outro problema…

Oficina, mexe, arruma, -3h, estrada de novo mais devagar pra não esquentar.

Estrada novamente, dessa vez já meio cansados e com um princípio de irritação, mas foda-se. Estávamos rumo a Roger Waters The Wall Live! A realização de um sonho de anos pra todos nós. contratempo faz parte, a gente ainda  ia rir muito dessa história depois, vamos embora cansados mas com pensamento positivo!

E o carro estraga de novo. Reboque Nº3

Nesse ponto estávamos muito cansados, já era por volta de 17h, calor e o medo de não conseguir chegar, as dúvidas de como ir pro show, voltar pra casa, já pensando em alternativas, horário de vôo, preço de passagem…

Dessa vez não teve jeito, o carro não seria consertado pra chegarmos a Sorocaba. Tivemos que seguir de reboque até lá, aí vem contato com seguradora, negociação de reembolso, valores de pagamento e etc, sorte que faltava pouco… Probleminha engraçado, o carro de reboque só tinha lugar pra 2 pessoas e éramos 5. Amanda, minha tia Léia e eu tivemos que ir dentro do carro em cima do reboque, acontece que não pode isso então precisávamos nos esconder sempre que havia um reboque ou um posto da polícia federal…

Finalmente chegamos, mais ou menos 19:30, encontramos uma lasanha divina, bolos e mousse que minha madrinha tinha preparado. Comida, risadas, banho, cama, tudo que precisávamos pra esquecer e aliviar do dia mas ainda havia o problema do transporte pro show e pra casa. Depois de olhar voo, não conseguir consertar o carro a tempo e tudo mais, conseguimos um carro emprestado com outro tio pra ir pra São Paulo pro show e voltar pra BH…

Agora sim, The Wall \o/

Conseguimos ir de Sorocaba a São Paulo com uma facilidade que nos impressionou, a sinalização era super clara, mesmo sem ninguém conhecer o caminho nós chegamos bem tranquilos. Pegamos os ingressos e entramos no Morumbi, aí começa a ansiedade. Apesar da espera de mais de 6 meses foram nas últimas dias horas que o coração ficou mais apertado, a gente não via a hora de começar logo, palco montado e a gente só esperando. Encontramos nossa arquibancada e fomos à caça dos melhores lugares, o problema é que não tinha escada e precisamos subir pulando as cadeiras e nessa rasguei minha calça e a alça da bolsa arrebentou. Mas tudo por um bom motivo, olha a visão linda que conseguimos:

So ya.Thought ya. Might like to go to the show… Começa o espetáculo

Uma versão mais de perto:

 

 Hey Teacher! Leave The Kids Alone \o/

Seguindo a ordem do álbum pouco depois vem a tão esperada Another Brick in The Wall. Pra quem não conhece, essa é a junção da parte 1, Happiest Days of our Lives (quase toda instrumental) e Another Brick Parte II, e no fim parece que é uma música só. Esta é daquelas músicas em que até quem não é fã da banda fica de pé e bate palmas, marcou história, virou lenda.

Com direito ao professor inflado gigante e um bando de criancinhas *-*Foi aí que eu comecei a perder a voz! Gritei, gritei, marchei e gritei mais… Ao final Roger canta lentamente, e com uma imagem gigante de Jean Charles de Menezes em uma das várias homenagens feitas ao brasileiro… Just a brick in the wall…

 

 

Mother – Lágrimas, Emoção e uma surpresa foda

Em seguida veio Mother que é uma das minhas preferidas do Pink Floyd, não só do The Wall mas de todos os álbuns, uma música que sempre em emocionou de forma muito profunda. Roger anuncia que não conseguiria cantar essa música por ter perdido a mãe recentemente, o que nos traz um nó na garganta… A música continua com a imagem de Jean Charles enquanto passam nomes de outras pessoas mortas de forma violenta, por erros da justiça ou da polícia. E o Morumbi calou. Preciso nem falar que chorei que nem idiota.

Mother vem com diversos questionamentos, em uma das frases Roger pergunta a sua mãe: “Mother, should i trust the government?”

Eis que surge (enorme) no muro a frase NEM FUDENDO. Aí galera foi a loucura, meus amigos…

Hush now baby, baby, don’t you cry…

Goodbye cruel world…

Parte importante do show é notar que o muro continua sendo construído durante todo o álbum 1, primeira metade do espetáculo. Seu último tijolo é colocado poeticamente ao som de Goodbye Cruel World que vem de uma sequência bonita e triste logo após Dont Leave Me Now e Another Brick in The Wall III. Obs: eu morria de medo dessa flor quando criança.

Mais de perto
As imagens que aparecem no muro ao final são de pessoas mortas em todo o mundo, vítimas direta ou indiretamente do governo, ficaram lá por todo o intervalo ao som de marchas fúnebres ao fundo.
O Recomeço
Voltamos do intervalo já no álbum 2 com Hey You, outra das queridinhas da galera. Surpreendentemente temos uma música sem espetáculos, sem fogos nem grandes projeções, emocionando pela qualidade do som e pela simplicidade diante de toda a grandiosidade já vista. Linda.
Together we stand. Divided we fall..
We Will Remember You
Olha, eu até tentei desmembrar e não falar dessa sequência mas ela é tão perfeita e única que não tem como falar nela senão mostrando completa. Começamos em Vera, vamos pra Bring The Boys Back Home fechando brilhantemente com Confortably Numb. A escolha das imagens, o som melódico, a emoção dos músicos, tudo isso fazendo arrepiar qualquer um. Acho que não houve quem não chorasse, estando lá ou não. Tavez a sequência mais profunda de todo o espetáculo.
You Better Run!
Run Like Hell  nunca entrou no meu Top 10 floydiano mas a apresentação foi fantástica, dava pra sentir o chão tremer! Roger começa perguntando “Tem muitos paranoicos no estádio hoje?” , e que tal um porco gigante inflado jogado na platéia com frases de impacto denunciando erros do governo e incitando o povo a ir a luta? Teve também. Ah, e em português. Roger Waters colocou o Morumbi inteiro pra marchar!
Waiting for the Worms também ficou foda! Que tal sangue, megafone e os famosos martelos vermelhos?
Queda do Muro
Com a chegada do fim do álbum vem o fim do muro com o que foi, visualmente, a parte mais psicodélica do show.
The Trial é, pra mim, a música mais insana de todo o The Wall, com vocais distorcidos, profusão de imagens a là país das maravilhas  e confusão sonora Roger nos transporta pra um verdadeiro filme no telão. Projeção com efeito 3D e tudo. Precisa mais?
Já caiu o muro, vai falar mais o quê???
Acreditem, ainda existe muita história a ser contada, tipo os churros de R$6 e o cachorro quente de R$12. A cerveja que só era budewiser e a solução pouco higiênica que os caras arrumaram pra se livrar da cerveja, mas fica pra outro post…
Nessa hora o leitor deve estar pensando, “poxa deu tudo certo,que bom, que lindo, que feliz…”
No caminho pra casa acreditam que o carro emprestado também quebrou?
=)

Pink Floyd in Harp

Vocês já cansaram das gêmeas harpistas?

Não?

Que bom, então vou postar mais um delas! Dessa vez é nada menos que Pink Floyd, delicinha da vida, coisa linda de Deus!!!!

Whish You Were Here in harp, deliciem-se!

Aos que me cobraram o post do The Wall Live, calma que ta chegando!

Se gostaram da música das loirinhas tem mais aqui e aqui.

Quem te viu, quem te vê, Luíz Caldas!