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Sexta Feira Hipster: Dubstep – wuwuwu-wub!

Muito se fala (ou se posta) a respeito de dubstep, mas o que seria isso exatamente?  Um movimento? Um estilo musical? Uma dança?

Não, não é tão confuso assim. Busquemos as origens do dubstep:

A cena inglesa:

Os movimentos musicais sempre estiveram ligados à juventude, à sede por coisas novas e a busca por transgressão. A energia, as drogas e a ideologia do rock foram bem características das décadas de 60, 70 e 80. Dos anos 90 pra cá a força de novidade e transgressão caracterizam mais a música eletrônica, as raves e os DJ’s. Um dos grandes responsáveis por isso foi esse homem:

O jornalista e empresário musical Tony Wilson popularizou o movimento Punk Rock depois de assistir ao primeiro show dos Sex Pistols, foi sócio-fundador Factory Records, responsável por lançar bandas como Joy Division, New Order, Happy Mondays e fundador da casa noturna Hacienda. Sua história de vida foi retratada no filme 24 Hour Party People (no Brasil, A Festa Nunca Termina) de 2002. O filme apresenta um momento singular na história da música ocorrido na Hacienda, onde o DJ, intermediário entre os músicos e o público, passa a ser considerado um artista também e é aplaudido como tal. Na Hacienda surge o chamado “Acid House”, com DJ utilizando o sintetizador TB-303, o público indo para boates dançar as batidas eletrônicas e tomar a droga do momento, o ecstasy.

Entre os estilos difundidos pelos DJ’s estavam o Trance, o Drum and Bass, o Jungle e o UK Garage. o UK Garage se dividia em  vários sub-gêneros como o 2-step e o grime. O 2-step caracterizava-se por não possuir um ritmo regular, tendo várias quebras na música e batidas variadas:

O grime usa de batidas complexas e fusão com o hip-hop. Um expoente do estilo é Dizzee Rascal:

Algumas músicas 2-step foram remixadas em dub, um sub-gênero do reggae Jamaicano bastante difundido na Inglaterra. A combinação do Dub instrumental e experimental com o 2-step daria origem ao que chamamos hoje de Dubstep. Os remixes de músicas em dubstep ficaram muito populares na casa noturna Plastic People de Londres no início do novo milênio e no programa de John Peel pela rádio BBC  entre 2003 e 2004. Outro grande difusor foi a loja Big Apple Records, especializada em hardcore e música eletrônica.

O Estilo chama a atenção da mídia especializada no início do século XXI. Revistas e Sites de prestígio como The Wire e Pitchfork dedicaram espaço para o dubstep. Percursores como Plasticine e Skream  ganham espaço na grande mídia:

Músicos do mainstream usam referências do som Dubstep, tais como Britney Spears:

Rihanna coloca remixes em dubstep no seu álbum Rated-R:

Magnetic Man é o primeiro a ter uma música em dubstep nas paradas de sucesso:

Katy B e Chase & Status também atingem as paradas. Vários músicos pop têm suas músicas remixadas em dubstep e o estilo atinge de vez o grande público.

Pós-dubstep e americanização.

Apesar de nunca ter sido um estilo bem definido, muitos críticos musicais consideram a nova onda de produtores e DJ’s de Dubstep iniciada em meados de 2008 como músicos de pós-dubstep por incluírem outros estilos musicais ao som original, tais como James Blake e Mount Kimble:

Os americanos e canadenses também começam a produzir Dubstep. Entre eles, o mais destacados  são o DJ canadense Deadmau5 e o americano Skrillex:

De certa forma, Os artistas e produtores do pós-dubstep e do dubstep americano soam com um formato mais “escutável” de dubstep, o que revolta os puristas que consideram o popstep (o dubstep das paradas de sucesso) e o brostep (o dubstep americano) completamente descaracterizados do som e do estilo original inglês.

Wubb-wubb-wubb.

O Wooble-bass, aquela famigerada linha de baixo pesada e distorcida é o elemento mais característico do dubstep. Em algumas músicas ela é repetida à exaustão, sendo também uma das principais críticas ao estilo musical. O jornalista musical Simon Reynolds do “The Guardian” chegou a relacionar o efeito hipnótico e dissociativo da ketamina (anestésico veterinário utilizado como droga) com a música dubstep, pois somente os drogados de ketamina conseguiriam criar uma música tão desconexa quanto dubstep.  Sátiras pululam na internet, entre elas o espetacular dubstep karaokê:

e a “como seus pais escutam dubstep”:

No Brasil.

Por aqui o estilo já toca nas pistas desde 2005 no Vegas Club, em São Paulo na festa Tranquera. Alguns Dj’s fazem Dubstep por aqui, tais como Diko Killah e Bruno Belluominni:

http://soundcloud.com/zerodiscokillah

E o dubstep continua.

Gostando ou não desse estilo tão controverso, não há como negar que ele está causando barulho, independente de você considerá-lo o futuro da música eletrônica ou a sonoplastia dos peidos de um robô.

Ainda poderia falar de inúmeros outros DJ’s e produtores como Caspa, Diplo, Steve Aoki e outros que flertam com o estilo mas o espaço é curto e a cena imensa..

Para finalizar,  deixo aqui o sensacional videoclipe do Skrillex, onde um pedófilo stalker é castigado ao som de dubstep:

Gustota não consegue dançar dubstep, mas já viu alguém conseguir: