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Sexta-feira hipster – Vamos falar de math rock?

ROCK MATEMÁTICO!!!???????

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Sexta-feira Hipster – Entenda o que é Gangnam Style.

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Sexta- Feira Hipster: Janelle Monáe – Andróide com suingue.

 

Quando muitos achavam que o Rock in Rio IV seria mais do mesmo, sem nenhuma novidade significativa, surge esta pérola no palco:

A cantora de 26 anos só está começando a fazer seu nome, mas já está trazendo algo totalmente novo  para o R&B e o pop em geral. Nascida no estado do Kansas (o mesmo da Dorothy do Mágico de Oz) , Janelle sonhava em ser uma artista desde criança, cursou teatro na Philadelphia e formou um grupo de artistas juntamente com BigBoi (a parte menos popular do Outkast), chamado Wondaland Arts Society. Você pode ver quase todos todos eles neste clipe:

Através de BigBoi, Janelle foi apresentada para o Puff Daddy (ou Pimp Daddy, ou Sean Puffy Combs ou seja lá qual nome ele estiver usando quando você ler isto) e fechou contrato com a sua gravadora, a Bad Boy Records para gravar seu primeiro álbum.

Quem é Cindy Mayweather?

Com o lançamento do seu primeiro álbum, Metropolis: Suite I (The Chase) de 2007, somos apresentados à personagem Cindy Mayweather, uma androide fabricada em massa no ano de 2719 para satisfazer os desejos de uma alta classe dominante.

A história é contada no clipe de Many Moons:

O álbum inteiro faz um flerte com a ficção científica, como no single Violet Stars Happy Hunting!

Cindy (a original) teria voltado no tempo para libertar o povo do domínio de uma organização chamada The Great Divide. O primeiro álbum consiste na primeira parte (suite I) e o seguinte The ArchAndroid (de 2010) nas partes 2 e 3 (suites II e III). da saga de Cindy. O álbum parece uma mistura musical-conceitual de Prince, Michael Jackson, David Bowie e Fugees com livros como os de Phillip  K. Dick e Asimov. A temática dos clipes e do visual do álbum parecem algo entre a ficção científica vintage, o steampunk, o funkadelic e o afromodernismo.

Além da Tight Rope já citada, também temos neste álbum a triste e poderosa Cold War (uma trilha sonora perfeita para um filme do James Bond):

Diferentemente do primeiro álbum que foi um sucesso apenas nos Estados Unidos, este lançou a cantora para uma carreira internacional de sucesso. Muitos críticos consideram ArchAndroid o melhor álbum de 2010.

Parcerias da Janelle.

Janelle virou a queridinha dos músicos hipsters, fazendo participações especiais em clipes e shows tais como os do Of Montreal:

O Fun.:

E a musiquinha de comercial Open Happyness, com Cee lo Green e Travis McCoy:

Janelle está preparando seu próximo álbum, e só resta esperar pra ver se será temático, se teremos uma nova trama emocionante e uma nova personagem, independente disso, boa música nós certamente teremos!

Gustota certamente compraria uma Cindy Mayweather!

 

 

 

 

Sexta-feira hipster – parabéns, Roberto Silva!

A sexta-feira hipster de hoje está triste, melancólica e maquiada. Roberto Silva, o vocalista da banda The Cure está completando 53 anos neste sábado, dia 21 de abril. Roberto está para o movimento gótico como o David Bowie está para o glam, ou o Sid Vicious para o punk. Vamos entender um pouquinho do impacto cultural que este indivíduo causou na Inglaterra e no Mundo.

Robert James Smith nasceu dia 21 de abril de 1959, e desde 1976 é o líder e vocalista da banda de rock Easy Cure (que começou punk) e mudou seu nome para The Cure (de pós-punk). A banda tornou-se em poucos anos a mais popular das bandas alternativas, atingindo vários hits na rádio.

O primeiro single de sucesso do Cure foi Killing An Arab de 1978, baseado no sensacional livro de Albert Camus, O Estrangeiro, onde em certo momento, o protagonista Mersault assassina um árabe na praia:

O estilo da banda ainda era bem punk, mas com um ritmo mais lento e um pouco soturno. Este estilo confirmou-se menos punk e mais sombrio nos singles seguintes da banda, Boys Don’t Cry de 1979:

E Jumping someone else’s train, de 1980:

O quarto single, The Forest, finalmente definiria o estilo da banda: soturno, sombrio, claustrofóbico e com aquele forte sentimento de isolação. Nascia aí o pós-punk:

The Cure teria uma “trilogia maldita” com três álbuns extremamente sombrios de atmosfera desoladora e gótica com Seventeen Seconds, de 1980, Faith, de 1981 e Pornography de 1982:

Pornography talvez seja o mais “dark” e desolador dos álbuns da banda, com músicas extremamente longas e depressivas, como a faixa-título:

Ao longo da carreira, a banda passou pelos mais diversos estilos em outros nove álbuns. Sempre com sua característica pegada de pós-punk.

Roberto e amigos.

Roberto é amigão da garotada e está sempre ajudando bandas novas e participando de singles e projetos de outros artistas, como a banda Siouxsie and the Banshees:

O Davi de Boa:

O chato de galocha Billy Corgan:

O Korn (?):

O Blink 182 (???):

E a bandinha que faz musiquinhas de Super Nes, a Crystal Castles:

Você só não verá amizade ente Roberto e o tiozão da Sukita Morrissey, pois reza uma lenda urbana que os dois são inimigos mortais.

Roberto Cult.

Na cultura pop, o visual de Roberto influenciou várias bandas e personagens, como o Sandman de Neil Gaiman:

O Edward Mãos de Tesoura:

O visual das bandas Mystery Jets:

Da banda gótica sabor framboesa My Chemical Romance:

Além do próprio (inclusive como dublador) fazer uma participação no South Park, transformando-se em Mothra, a vilã do Godzilla contra Barbara Streisand:

E o filme This must be the place, que será lançado neste ano fazer uma referência clara a Robert com o personagem Cheyenne, interpretado por Sean Penn (conhecendo Sean Penn, eu acredito que ele será melhor Robert Smith que o próprio Robert):

Então saudações a este ícone cultura que vem alegras nosso blog, e esta sexta-feira hipster a partir de agora está in love!

Gustota era gótico quando pré-adolescente graça a esta figura!

Sexta Feira Hipster – Tocando o Bordello com Eugene e sua gangue.

Quem anda pelas noites boêmias cariocas e paulistanas pode dar de cara acidentalmente (ou não) com este indivíduo:

Ostentando seu característico bigode, o cigano ucraniano que completará 40 anos neste ano adotou o multicultural Brasil como morada. Eugene Hütz, além de boêmio, também é conhecido por ter atuado em uma penca de filmes e ser o vocalista da banda de folk-punk Gogol Bordello.

O Bordel de Gogol.

Nikolai Gogol foi um dos grandes escritores da Rússia (apesar do mesmo ser ucraniano e crítico da Rússia). Seu estilo vagava entre um realismo quase existencial e um realismo fantástico (como no conto O Nariz, em que um nariz ganha vida própria). A identificação de Hütz com mais ucraniano dos escritores também vem junto de uma curiosidade: Gogol era celibatário e supostamente morreu virgem aos 43 anos. O nome da banda remete a virgindade e luxúria bem ao estilo Marilyn Manson.

Eugene mudou-se com a família da Ucrânia após o acidente do reator nuclear de Chernobyl.  Eles viajaram pela Polônia, Itália, Áustria e Hungria até chegarem aos Estados Unidos. Hütz começou carreira na banda de psychobilly The Fags:

Mas foi após o fim de sua banda predecessora e com a parceria do violinista russo Sergey Ryabtsev e do acordeonista Yuri Lemesehv, também russo, que teríamos as bases para o que seria o Gogol Bordello.

Em meados de 98 também se uniriam à banda o baterista Eliot Ferguson, o guitarrista Oren Kaplan e as dançarinas e performers Pam Racine e Elizabeth Sun:

                                                               Além de lindas, torcem pro melhor time do Brasil.

As performances do grupo chamam a atenção de gente grande no mundo musical, como o  baterista da soturna banda  Nick Cave and the Bad Seeds, Jim Sclavulos, que produz o primeiro álbum da banda, Voi-La Intruder, de 1999. O álbum traria o primeiro sucesso comercial da banda, Start wearing purple.

A inspiração para a música viria de uma vizinha de Eugene e sua namorada, uma velha e rabugenta senhora que se vestia de roxo da cabeça aos pés. Quando a namorada de Eugene começou a brigar com ele, ele teria sugerido que ela começasse a se vestir de roxo. Em 2002 eles lançam Multi Kontra Kulti v.s. Irony e em 2005 East Infection, mas é em 2007, com Super TarantaQue a banda ganha reconhecimento da crítica. Entre os grandes sucessos do álbum estão Wonderlust King:

e American Wedding:

Gogol tem forte influência do folk Russo tradicional com as bandas de punk da década de oitenta, tais como Dead Kennedys, Fugazi e Stiff Little Fingers, também dá pra sentir uma influência muito forte de outra banda com ideias muito parecidas com as de Gogol Bordello, mas que faz alusão à cultura sul-americana e centro-americana, a Mano Negra do famoso Manu Chao:

Que inclusive recebeu uma homenagem com um cover no álbum East Infection:

Sem dúvida as performances da banda são o que há de mais chamativo neles. Os músicos são performers natos e envolvem o público de forma apaixonante, descendo muitas vezes do palco e saindo das casas de show para tocar na rua:

A banda já foi objeto de documentário em 2008, a Gogol Bordello Non-Stop, de Margarita Jimeno:

E o próprio Eugene já se arriscou (com sucesso) como ator de cinema, interpretando um tradutor de russo picareta no filme Everything is Illuminated, baseado no best-seller de Jonathan Safran Froer:

E o Brasil é bom, Eugene?

O vocalista fanfarrão, apesar de nômade,  adotou o Brasil como segunda terra natal. Após um convite do Manu Chao para visitar o carnaval de Pernambuco (e conhecer o Mundo Livre S.A. juntamente com o movimento manguebeat).

Em dois anos (2010 e 2011) Eugene tem visitado o Brasil, seus acampamentos ciganos, rodas de samba, shows de forró e até os bailes funk. A música brasileira tocou profundamente Eugene:

Outro caso clássico do grande artista que admira nossa cultura a despeito do preconceito que o próprio brasileiro tem dela. Recentemente o Gogol fez um mega-show no Loolapalooza (com direito a Aí se eu te pego), e essa parceria do artista com o Brasil ainda irá gerar bons frutos para os dois lados:

Gustota foi amaldiçoado por uma cigana de Venda Nova a ouvir Gogol Bordello pelo resto da vida!

Sexta-feira Hipster – Los Hermanos inventaram o Hipster brasileiro?

Pois é, estes são os pôsteres dos shows da turnê dos Los Hermanos pelo Brasil afora neste ano. Estes pôsteres conceituais mostram uma banda que criou ao longo dos anos uma identidade singular que não permite meio-termos: Ame-os ou deixe-os. Mas por que a banda de Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante gera tanta polêmica? Qual a questão, afinal?

Ô Anna Júlia

Todos conhecemos a história: Estudantes da PUC do Rio criam uma banda “just for fun” e se destacam pelo talento. Lançam um disco por uma grande gravadora flertando com o Ska, o hardcore e ritmos tradicionais do carnaval, como as marchinhas e o frevo, sãoextremamente bem-sucedidos em sua proposta e o álbum apresenta excelentes músicas como a Pierrot:

A superexposição porém, veio com a música menos característica do estilo, a Anna Júlia, música meio Jovem Guarda, meio Weezer:

E quem tem mais de 20 anos certamente lembra muito bem toda a polêmica que esta canção gerou, de capa da Capricho à cover de George Harrison (o melhor dos Beatles):

Não porque nem sempre.

A partir do Bloco do Eu Sozinho os Los Hermanos romperam com seu antigo estilo e seus antigos fãs para unir ritmos como Bossa Nova, MPB e um pouco de Indie rock inglês em suas novas composições. Passaram a tocar em lugares menores e mais selecionadas garimpando uma nova audiência. E esta nova audiência correspondeu de forma fervorosa, especialmente depois do álbum Ventura de 2003. Basta assistir à gravação do show no Cine Íris para compreender isto:

O fanatismo gera evidentemente uma defesa apaixonada dos fãs à banda, fenômeno parecido com o dos antigos fãs do Legião Urbana e do Engenheiros do Hawaii. São poucas as bandas boas de rock, e são pouquíssimas as que conseguem criar um mundo próprio só delas, com indumentárias próprias, jeito de falar próprio e, porque não, filosofia de vida própria. Os Hermanos criaram (ou talvez reproduziram, a seus moldes) um mundinho intimista, de um jovem de classe média retrô sensível, com aquela vibe do curso de ciências humanas e até algo de mambembe (sabe-se lá qual a relação, mas tem algo ali).

E aí que mora toda a crítica de quem ataca a banda, a história do fã chato que coloca os músicos do pedestal e defendem eles de qualquer coisa, revoltando até mesmo os integrantes da banda.  Como por exemplo, nesta participação dos Los Hermanos tocando Anna Júlia no Faustão, no período de divulgação do Ventura:

Que gerou uma repercussão negativa entre os chatos fãs dos Los Hermanos, como neste comentário da época, no site oficial da banda:

De: Juliana (23 anos, Recife/PE)
Para :Bruno
Pergunta: Na verdade nao é bem uma pergunta, é mais um desabafo! Sei q essa historia de gravadora é chata pra caramba, quem manda é ela e tal. Mas sinceramente fiquei decepcionada com aquela apariçao bizarra de vcs no Faustao!!!!!! E acho q nao fui a unica, estou representando varios fãs desapontados! 😦 Depois de tantas coisas legais q vcs fizeram, ir pra Faustao pra cantar Anna julia foi PESSIMO!! O pior é q eu sei q vcs também acharam! Bom! É isso! espero vcs dia 30 aqui em Recife. Um beijao!

E a resposta de um dos integrantes, Bruno Medina:

Resposta do Bruno: Não fomos obrigados por ninguém a ir no Faustão, fomos porque achamos que seria uma boa oportunidade para a banda. Na verdade pensamos que ir ou não a um programa de tv não deveria importar tanto porque nada vai mudar no que somos ou o que fizemos a partir dessa experiência. Participar de um programa como o do Faustão significa levar nossas músicas e nossas opiniões para um grande público que é excluido naturalmente por não ter tv a cabo, onde aparecemos com maior frequência. Como diz o ditado não se pode fazer um omelete sem quebrar os ovos, portanto mesmo que não tenha sido a participação dos sonhos acho ainda sim que foi positivo. Muita gente confunde opinião com rebeldia, oposição ou postura. O Los Hermanos será o Los Hermanos em qq lugar que vá. Se ir ao Faustão significa para alguns ter menos afeto pela banda ou desacreditar tudo que já foi dito ou feito por nós, realmente só posso lamentar. Porque para revolucionar alguma coisa é preciso primeiro estar inserido nela. Ninguém ressalta o fato de que para alguns pode ter representado uma esperança ver uma banda como nós na Globo, num domingo no meio da tarde. Isso significa que vencemos e não que fomos vencidos. Pois se existe interesse em nossa banda por parte de um programa de grande audiência provamos para todos aqueles que duvidavam de nossa capacidade que somos sim uma banda viável.

Este tipo de atitude gera o imenso preconceito com os fãs da banda, que são criticados em inúmeras comunidades e são satirizados, como esta história do blog Adolar Gangorra: Como me fudi no show dos Los Hermanos. 

É inegável o impacto do visual e da vibe que os Hermanos remetem. Mesmo bandas com estilos musicais diversos ao dos músicos cariocas, como Móveis Coloniais de Acaju e Teatro Mágico,  bebem desta mesma fonte:

E claro, a jovem e até pouco tempo impúbere cônjuge de Camelo, Malu Magalhães:

A questão do hipster (ou indie) brasileiro é interessante.  Os Hermanos mudaram de estilo no segundo álbum no momento em que o hipster brasileiro estava formando a sua identidade. Eles tocavam em lugares pequenos, onde essa galera se reunia e buscava bandas para se identificarem, e na ocasião os Hermanos eram sem dúvida os melhores. O público undergorund é muito mais fiel e na consagração do terceiro álbum eles já tinham a banda como a melhor do rock. Camelo e Amarante certamente fizeram o caminho certo para criar um fenômeno. Se existem fãs chatos, foi porque eles os procuraram e geraram identificação com eles, e não os criaram. Talvez os músicos tenham adaptado um pouco do estilo para adaptar-se ainda mais a este público. como por exemplo no clipe conceitual ” O vento”:

E se muitas das bandas novas caminham nesse sentido e fazem sucesso, é porque estão em busca de ocupar a lacuna deixada por bons músicos.

A qualidade dos Hermanos musicalmente, é bem alta, independente da chatice em vigor. Vale acompanhar o trabalho da (ex) banda que ameaça voltar à atividade:

(Mas longe dos xiitas, por favor).

Datas dos shows de retorno:

  • 20 de abril: Festival Abril Pro Rock (Chevrolet Hall)
  • 21 de abril: Fortaleza, Barraca Biruta
  • 27 de abril: Manaus, Arena Amadeu Teixeira
  • 28 de abril: Belém, Cidade Folia
  • 05 de maio:  Brasília, Estacionamento do Ginásio Nilson Nelson
  • 06 de maio: Salvador, Concha Acústica do TCA
  • 07 de maio: Salvador, Concha Acústica do TCA
  • 10 de maio: São Paulo, Espaço das Américas
  • 11 de maio:  São Paulo, Espaço das Américas
  • 12 de maio: Porto Alegre, Pepsi on Stage
  • 13 de maio: Porto Alegre, Pepsi on Stage
  • 18 de maio: Curitiba, Festival Lupaluna (BioParque)
  • 19 de maio: Belo Horizonte, Chevrolet Hall
  • 20 de maio: Belo Horizonte, Chevrolet Hall
  • 21 de maio: Belo Horizonte, Chevrolet Hall
  • 24 de maio: Rio de Janeiro, Fundição Progresso
  • 25 de maio: Rio de Janeiro, Fundição Progresso
  • 26 de maio: Rio de Janeiro, Fundição Progresso
  • 27 de maio: Rio de Janeiro, Fundição Progresso
  • 31 de maio: São Paulo, Espaço das Américas
  • 01 de junho: São Paulo, Espaço das Américas
  • 02 de junho: Rio de Janeiro, Fundição Progresso
  • 03 de junho: Rio de Janeiro, Fundição Progresso

Obs: Os ingressos estão esgotados em algumas casas.

Gustota vai ouvir muito mimimi depois desta sexta-feria!

Sexta-feira Hipster – cinco covers hipsters de Serge Gainsbourg.

Espera aí, sexta hipster no domingão? Desculpem pelo atraso, mas tivemos alguns problemas técnicos nesta semana. Hoje faremos uma homenagem ao cantor Serge Gainsbourg que morreu dia 2 de março de 1991. Quem foi ele? Nascido em  Paris,1928, Serge Gainsbourg era filho de emigrados judeus da Rússia fugidos da guerra e da ameaça nazista. Ele só começou a carreira musical depois dos trinta, antes disso era um pintor frustrado e pianista de bar, e sua carreira só deslanchou depois dos quarenta, enquanto ele ainda morava de favor na casa dos pais.

Em 30 anos de carreira lançou mais de 28 álbuns. Para a França, Gainsbourg elevou o pop francês ao nível de arte. Vale lembrar que ele gravou uma das mais polêmicas músicas da sua época (e de quebra, pegou a mulher mais desejada também, a Brigitte Bardot que canta juntamente com ele esta canção):

A música é polêmica pelo absurdo erotismo e os gemidos escancarados de tesão da Brigitte. Para saber mais sobre o romance dos dois, vale a pena ver o recente filme Gainsbourg:

Ele tentou pegar a Whitney Houston também. Ao vivo, bêbado e com uma cantada sujíssima:

E os cults amam Gainsbourb:

Como não? Então aqui vão cinco covers de músicos hipsters apaixonados pelas canções do menestrel francês:

 

1° Beirut – La Javanaise:

O músico que virou queridinho por aqui depois do sucesso da série global Capitú costuma tocar esta adaptação em shows ao vivo (tocou em São Paulo, inclusive).

 

2° Arcade Fire – Poupee de Cire:

Esta ficou muito boa. Os músicos a lançaram em versão exclusiva.

 

3°  Franz Ferdinand – A song for a Sorry Angel:

Esta aqui faz parte de um álbum de tributo a Gainsbourg ( Monsieur Gainsbourg Revisited de 2006). A parceria entre o Franz Ferdinand e a Jane Birkin, ex-mulher de Gainsbourg e intérprete original da canção também é interessante.

 

4° The Rakes – Just a Man with no Job:

Outra do mesmo tributo. Com uma pegada bem indie rock.

 

5° Nick Cave – I Love You nor Do I:

Undergound oldschool, Cave repetiu a canção dueto de Gainsbourg e Bardot, desta vez em Inglês e com Anita Lane.

Gainsbourg morreu na sua casa em Paris, em 1991, de complicações cardíacas .Muitos apontam que foi pelo excesso de bebida e cigarros. Nicolas Godin da banda Air afirma que “Todos conseguem lembrar o que estavam fazendo quando souberam da morte de Gainsbourg. Foi um grande choque, porque ele sempre esteve presente, era parte da nossa cultura. Sempre aparecia na TV, fazendo alguma coisa maluca” .

Tamanho foi o impacto da morte dele no país berço do iluminismo. Por aqui deixamos a nossa homenagem a este grande músico:

Gustota ouve as músicas de Gainsbourg, vê ele cantando a Whitney, e compreende que ele é o mestre verdadeiro do amor.

Sexta-Feira Hipster – Grimes será a nova Hip-diva?

Lana Del Rey é a nova diva do mundo hipster?

Valeu a tentativa.

Agora falemos de Grimes. Nascida com o nome de Claire Boucher, esta canadense que visualmente é uma mistura de Frida Kahlo com Helga G. Pataki e com penteado de Skrillex tem dado o que falar. Seu som possui uma suavidade que lembra algo de Cocteau Twins e do New Wave, assim como também dialoga com outras cantoras do chamado “dream pop” como Lykke Li (já mencionada aqui) e Fever Ray:

Seu primeiro álbum, Geidi Primes fez um razoável sucesso e revelou um pouco do mundinho particular desta cantora:

Grimes parece dialogar tanto com o sombrio e introvertido mundo do dream pop quanto com strange american, o freak folk americano e canadense de bandas como Animal Collective e do Grizzly Man, o que fica bem evidente nesta música:

Assim como todas as outras cantoras dream pop, Grimes também é fashionista e está sempre realizando trabalhos ligados à moda e à fotografia:

Grimes acabou de lançar seu álbum Visions e eu aposto que ela será a nova sensação da música que “nunca ninguém ouviu falar” , tornará descolada a pessoa que a curtir e todas essas coisas:

Há muita expectativa sob esta canadense de apenas 23 anos, veremos se elas serão cumpridas, ou será mais um bafafá internético.

E ela é boa ao vivo?

Ao menos isto!

Discografia:

Geidi Primes: 2010

Halfaxa: 2011

Visions: 2012

 Gustota vai esperar virar moda para dizer que gosta!

Sexta-feira Hipster: Um mashup de carnaval com João Brasil.

Estamos no chamado “Carnaval Zeitgeist”, aquela época do ano em que o Brasil estaciona e qualquer manifestação anti-folia é condenada com a morte. Inúmeros foliões tomados pelo confuso feeling carnavalesco irão às ruas das cidades atacar as inúmeras foliãs para satisfazerem o espírito pagão de Moloch. E quando o folião ataca aquela foliã que está fora dos padrões de beleza estabelecidos pela sociedade moderna, ele recebe críticas e ressalvas de seus colegas de caça.

Eis que em 2007 surge um hino em defesa dos apreciadores das mulheres fora-do-padrão:

A música revolucionária era uma afronta clara e direta a Vinicius de Morais que diz: “As muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”. Muitos contestaram o misterioso autor, sua seriedade com a música, especialmente quando o mesmo aparece no então programa de Marcos Mion:

E no Faustão, convidado da atriz Maria Flor:

João Brasil é um palhaço? Um títere do humor rasteiro disseminado pela televisão nacional? Claro que não! A prova disso veio no clipe oficial de baranga, satirizando todos os clichês dos anos 80, como os de shows da RPM e do Ritchie:

Não estamos falando de qualquer músico. João estudou música na Berklee College of Music, participou de várias bandas como Boi Zebu e trabalhou como produtor musical de outros artistas. Seu gosto por músicas com ritmos bregas criou vários sucessos, como o já citado baranga e o “Monica Waldvogel”, que gerou comentários da própria jornalista:

Seus primeiros oito hits ( que na verdade se revelaram 10) geraram seu primeiro cd com sensacional capa satirizando o Thriller de Michael Jackson:

Porém, com a descoberta do funk por João e seus samples, surge seu projeto mais ousado: Os 365 MashUps! A proposta ousada é unir músicas conceituais de artistas consagrados com funks, vinhetas de programas nacionais, ritmos tropicais e tecnobrega. As músicas ganham realmente um teor nacional, entre elas podemos citar o já mostrado Calypso com La Roux:

Beatles+ Deise Tigrona:

Ramones + Uma centena de ritmos de Axé:

Nunca vi músico/dj tão apaixonado por ritmos brasileiros como João Brasil:

Entre suas autorias próprias, a L.O.V.E. Banana em parceria com a Lovefoxxx do Cansei de Ser Sexy:

Quase uma versão hipster/pornochanchada do extinto programa Fantasia do SBT!

João Brasil tem até discípulos como o Dj capixaba André Pasté:

Se ele é um artista ou sampler, para mim não faz diferença. A tendência da pós-modernidade é o hibridismo cultural, buscar referências em inúmeras obras, misturá-las e criar uma outra obra a partir de fragmentos das anteriores. É exatamente isso que os artistas da pop-art faziam, assim como a pop-art music de João Brasil. Para pular o carnaval ao som alucinado deste ufanista incorrigível, eu pessoalmente recomendo:

João Brasil, como muitos, é mais reconhecido lá fora. Ele recebeu uma recomendação da prestigiada  Vice, e concedeu uma entrevista para a Fact.

Não deixe de visitar o canal no SoundCloud com os sons de João Brasil:

http://soundcloud.com/joaobrasil

Gustota não consegue fugir do Carnaval Zeitgeist.

Sexta-feira Hipster: Die Antwoord é a resposta para qual pergunta?

Na sexta-feira hipster de hoje, vamos empreender uma viagem para a África do Sul:

Terra de Nelson Mandela:

E de Siphiwe Tshabalala:

País marcado por uma população extremamente heterogênea, entre as quais mais de dez grupos étnicos de africanos, como os Zulus, Xhosas, Bapedis e Vendas. Os brancos descendem em sua maioria de ingleses, franceses, portugueses, alemães e holandeses. Com onze línguas oficiais, o caldeirão étnico do país gerou um sistema de segregação racial conhecido por Apartheid. Este sistema vergonhoso de separação racial tornou-se oficial por lei em 1948 e  resistiu de forma inacreditável até a década de noventa, culminando na primeira eleição multirracial e na ascensão do partido de Nelson Mandela ao poder (Congresso Nacional Africano) em 1994.

O Apartheid deixou muitos resquícios, entre eles as chamadas Townships (favelas) onde milhares de negros, colorados (indianos e mestiços) e brancos pobres vivem. Eis que, supostamente numa região periférica, a beira de uma township, teria surgido este vídeo:

Entrevistador: A palavra Die Antwoord, o que ela significa?

Ninja: A resposta (em Africâner).

Entrevistador: Resposta para quê?

Ninja: Qualquer coisa, cara. Foda-se.

A pergunta de todos os milhares que assistiram isto foi: “Esses caras estão falando sério?” Afinal eles são praticamente a versão africana dos personagens do filme Gummo:

Eles representavam aquilo que os americanos chamam pejorativamente de “white-trash” , os brancos pobres que vivem em trailers e periferias. Ouvimos no estranho documentário/clipe, as chamadas “next level beats” e o tal do Zef Side, um estilo de brancos pobres que querem se passar por ricos.

A  polêmica não tinha sido resolvido ainda, e somos bombardeados por este videoclipe:

A coisa torna-se tão nonsense, o estilo tão inexplicável, que cai no gosto hipster. A título de curiosidade o estranho menino que aparece em flashes no videoclipe é Leon Botha, um Dj Sul-Africano conhecido por DJ Progeria. Ele sofre da doença de envelhecimento precoce (progeria) e talvez seja um dos que mais tempo sobreviveu a ela (a doença costuma matar antes dos 10 anos, Leon Botha faleceu em 2011, aos 26).

A estranhíssima Yolandi protagoniza o videoclipe Rich Bitch, onde ela limpa a bunda com a cara do presidente sul -africano Jacob Zuma:

E não obstante, lançam o clipe Evil Boy com o rapper Wanga da etnia Xhosa. Cantado em Africâner, xhosa e em inglês, a música seria um protesto contra o rito de passagem dos xhosa, que envolveria circuncisão. O jovem que se recusasse a participar do rito seria taxado como homossexual e seria desprezado pelas mulheres da tribo.

Tá, este clipe passou dos limites do bizarro. Eles são ou não são 4 real? 

Não, não são. Ninja (Watkin Tudor James) e Yolandi Vi$$er (Yolandi Visser) eram estudantes de belas artes apaixonados por rap, performances musicais e humorísticas. Watkin possuía um programa virtual chamado MaxNormal. TV, uma espécie de Art Attack experimental:

Com performances humorísticas de rua:

E também com o super-experimental Constructus Coproration:

Então eles são fake? Depende. Se você estava os levando a sério, Ninja e Yolandi Vi$$er são tão reais quanto o Borat. Eles são os personagens de maior sucesso dos performers Watkin e Yolandi, dois artistas que utilizam da música experimental e da construção satírica e barroca dos clipes de rap para expressar sua arte. O gosto dos dois pelos personagens “Zef Side” fica evidente no pequeno filme Umshimi Wam (traga-me a metralhadora):

O sucesso os levou ao David Letterman recentemente para o lançamento da nova música I Fink U Freeky:

Que já tem um sensacional videoclipe:

Talvez só agora a proposta dos artistas do Die Antwoord está sendo compreendida pelo grande público. Já que a primeira sensação da internet e o estranhamento passaram, resta saber se eles terão talento para manter a fama depois do viral.

Discografia:

2010: $O$

2012: Ten$Ion

Gustota também caiu na pegadinha de que eles eram 4 real.