Sexta-feira hipster – Vamos falar de math rock?

ROCK MATEMÁTICO!!!???????

PORRA, ROCK MATEMÁTICO!???

Existem dois tipos de pessoas: as que gostam de matemática e as pessoas. Simples assim. A relação da métrica matemática com a música é bem antiga e tenho certeza que tem algo a ver com os Pitagóricos e suas escolas secretas e tal…  Mas não se preocupem que não abordarei a ciência exata dos números por aqui, se quiser ler matemática, pegue o livro do Malba Tahan.  Não é disso que tratarei. O rock passou por muitas mudanças e desconstruções durante os últimos tempos, mais especificamente nas últimas duas décadas. Nos anos 70 tivemos o viajadaço rock progressivo. Nessa época já tínhamos coisas bem parecidas com o que se chama hoje de post-rock, como o Genesis:

Nos anos 80 houve a pasteurização do pop e do rock juntamente com a perda da inocência lisérgica da década anterior.  Nos anos 90 e 00 parece que houve uma fusão entre a experimentação dos anos 70, porém com a desilusão e o niilismo pós-moderno dos 80. Aquele negócio de batidinha, compasso bacaninha, duas ou três sequências de refrão foram sendo subvertidas pouco a pouco. Surgiu uma coisa de tocar músicas sem qualquer compromisso com a forma, o ritmo, o compasso. Algumas bandas começaram com isso nos anos 80 e 90, tais como o Sonic Youth:

A Shellac:

E os lendários (desconhecidos) do Big Black:

É importante destacar a chamada “vanguarda paulistana” quando juntou um monte de junkie louco oitentista para criar música mezzo new wave, mezzo MPB, e saíram coisas maravilhosas, como Arrigó Barnabé (o ícone mais injustiçado da MPB):

Os primeiros que ouviram isso não tardaram a tentar transformar num movimento chamado post-rock (culpa daqueles putinhos da Pitchfork), quase como se o rock tivesse morrido (de novo). Mas se você ouviu o Genesis aí em cima, você viu que não é bem assim. O post-rock e o math rock basicamente são uma fragmentação constante do ritmo baseados na batida da bateria. Atonalidade e morosidade do baixo e do vocal. A grande diferença entre o post-rock (que um dia abordaremos pelo blog) e do math consiste na técnica do tapping (aplicada no math) de bater nas cordas da guitarra, além do ritmo do math ser mais coordenado e quase milimetrado (ahhhhhhh, por isso do math!), mais puxado pro jazz enquanto o post rock possui uma coisa realmente atonal, com mais teclados, ambientação e um nível de depressão quase norueguês.

As bandas mais influentes do gênero, são os californianos do Tera Melos e o Don Caballero que praticamente o definiram:

Math Rock goes indie:

Nos anos 00 o indie rock meio inglesinho estava na moda, e ganharam umas bandas que misturaram os dois, como a Sweep the Leg Johnny:

A Battles:

E a This Town Needs Guns:

No Japão, temos a sensacional Acidman:

A um pouco mais progressiva e assustadora Acid  Mothers Temple:

E a também excelente Fujifabric:

E no Brasil, a Hurtmold (vale muito a pena conhecer):

Math Rock goes Hipster:

Quem popularizou de verdade o math rock foi a banda Foals (pôneis, e não é zoeira). São caras que tiram fotos assim:

E assim:

Admiro a valentia destes artistas…

Eles possuem uma pegada que flerta com o rock dançante estilo Friendly Fires:

Na mesma pegada, vem o Maps & Atlases, só que levemente mais folk:

Eu particularmente gosto muito da experimentação do estilo e acho uma versão mais “escutável” do tal do post-rock. agora, se você quiser arriscar com o meio-termo entre os dois estilos, recomendo o projeto paralelo de Omar Rodriguez, ex-integrante do At the Drive-In e do Mars Volta e descubra que o que aquele cara dizia era verdade, dá pra se drogar com música:

Gustota jamais teria levado ferro em cálculo 1 se o professor cobrasse math-rock na prova!

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Sobre Gustota

As mãos que escrevem aqui pertencem a Gustavo Silva, "escritor imortal" consagrado por um prêmio da cidade de Cachoeirinha (ES). Estuda ciências sociais na UFMG, já cursou jornalismo (inconcluído) na PUC-MG mas não deixa de exercer o ofício por pura paixão e porque não sabe fazer mais nada da vida (não que ele saiba fazer outra coisa bem.

Publicado em 21/09/2012, em Música, Sexta-Feira Hipster e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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