Os desenhos de um paciente que escutou progressivamente Djavan.

Certa feita, um artista plástico estrangeiro foi submetido progressivamente às audições das canções de Djavan. Assim era a sua arte, antes do experimento:

Repare a simplicidade do traço, a harmonia das formas. O realismo simples e objetivo da peça. Submetemos então o paciente à canção Oceano:

Amar é um deserto
E seus temores
Vida que vai na sela
Dessas dores
Não sabe voltar
Me dá teu calor…

Vem me fazer feliz
Porque eu te amo
Você deságua em mim
E eu oceano
E esqueço que amar
É quase uma dor…

 A letra sobre o deserto amarelo e seus temores (Os meus?  O do Deserto?) a pessoa desaguando no oceano que sou eu (lírico) causaram a seguinte influência na arte do pintor:

Em seguida, ele foi submetido à canção Lilás:

Surgia nas pontas
De estrelas perdidas no mar
Pra chover de emoção
Trovejar…
Raio se libertou
Clareou
Muito mais
Se encantou
Pela cor lilás
Prata na luz do amor
Céu azul
Eu quero ver
O pôr do sol
Lindo como ele só
E gente pra ver
E viajar
No seu mar
De raio.

 Raio cativo (quem prendeu, Zeus?) se encantou pela cor Lilás?! Veja só como a arte do pintor progrediu:

Logo em seguida, veio a canção Eu te Devoro:

Te devoraria
A qualquer preço,
Porque te ignoro,
Te conheço,
Quando chove ou
Quando faz frio,
Noutro plano
Te devoraria
Tal Caetano
A Leonardo DiCaprio…

É um milagre,
Tudo que Deus criou
Pensando em você,
Fez a via-láctea
Fez os Dinossauros,
Sem pensar em nada
Fez a minha vida
E te deu,
Sem contar os dias
Que me faz morrer,
Sem saber de ti
Jogado à Solidão,
Mas se quer saber
Se eu quero outra vida
Não! Não!

A parte do amor faz sentido até te conheço, depois fica difícil de compreender, e com o artista:

Agora a coisa vai ficando mais e mais sinistra, começamos a entrar num território desconhecido pelos trajetos da mente sã:

Pai e mãe, ouro de mina
Coração, desejo e sina
Tudo mais, pura rotina, jazz
Tocarei seu nome pra poder falar de amor

Minha princesa, art-nouveau
Da natureza, tudo o mais
Pura beleza, jazz

A luz de um grande prazer é irremediável neon
Quando o grito do prazer açoitar o ar, reveillon

O luar, estrela do mar
O sol e o dom, quiçá, um dia a fúria
Desse front virá lapidar
O sonho até gerar o som
Como querer caetanear o que há de bom

As imagens falam por si:

E pra finalizar, o supra-sumo, Açai.

Muito cuidado ao ler a letra:

Solidão de manhã,
Poeira tomando assento
Rajada de vento,
Som de assombração, coração
Sangrando toda palavra sã

A paixão puro afã,
Místico clã de sereia
Castelo de areia,
Ira de tubarão, ilusão
O sol brilha por si

Açaí, guardiã
Zum de besouro um imã
Branca é a tez da manhã (2X)

Solidão de manhã,
Poeira tomando assento
Rajada de vento,
Som de assombração, coração
Sangrando toda palavra sã

A paixão puro afã,
Místico clã de sereia
Castelo de areia,
Ira de tubarão, ilusão
O sol brilha por si

Açaí, guardiã
Zum de besouro um imã
Branca é a tez da manhã (3X)

Pobre artista! Maldita ciência! Maldita humanidade!

Só por observação que o post é ficcional e inspirado no artista Louis Wain.

Sobre Gustota

As mãos que escrevem aqui pertencem a Gustavo Silva, "escritor imortal" consagrado por um prêmio da cidade de Cachoeirinha (ES). Estuda ciências sociais na UFMG, já cursou jornalismo (inconcluído) na PUC-MG mas não deixa de exercer o ofício por pura paixão e porque não sabe fazer mais nada da vida (não que ele saiba fazer outra coisa bem.

Publicado em 06/09/2012, em Cultura Pop e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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